Por que os atletas cubanos pedem asilo político?… Por Fidel Castro
Havana. 24 Julho de 2007
TERCEIRA REFLEXÃO SOBRE OS PAN-AMERICANOS
O Brasil substituto dos Estados Unidos?
(Traduzido pela Equipe de Serviços de Tradutores e Intérpretes do
Conselho de Estado — ESTI)
Há muito pouco falei a respeito do roubo de cérebros, algo repugnante.
Pouco depois apareceu um bom atacante da equipe cubana de handebol
vestindo o uniforme de uma equipe profissional de São Paulo.
A traição por dinheiro é uma das armas prediletas dos Estados Unidos
para destruir a resistência de Cuba.
O atleta cursava os estudos superiores; se formaria na Licenciatura
em Educação Física e Esportes, um trabalho digno. Suas receitas são
modestas, mas sua preparação profissional é altamente apreciada; seja
qual for o esporte e sua especialidade, o mesmo se são capazes de
atrair muito público e publicidade comercial, ou não atraem nenhum,
são úteis para o desenvolvimento humano.
Aqueles que solicitaram asilo brasileiro fazem-no quando os Estados
Unidos declararam há muito pouco que não cumprirão as cifras exatas
dos acordos migratórios que subscreveram com nosso país. Baste
assinalar que dos quase duzentos atletas e treinadores que
participaram na primeira semana das competições dos Pan-americanos,
faltaram um jogador de handebol e um treinador de ginástica.
Não vou dizer por isso que a equipe de handebol de Cuba era melhor
do que a excelente equipe do Brasil e seus formidáveis atletas,
contudo a delegação cubana recebeu um golpe moral baixo nos Jogos
Pan-americanos com essas solicitações de asilo político. Puseram a
equipe cubana fora de combate antes que começasse a luta pela medalha
de ouro.
No passado domingo, 22 de julho, ao meio-dia, recebemos a triste
notícia de que dois dos mais relevantes atletas de boxe, Guillermo
Rigondeaux Ortiz e Erislandy Lara Santoya, não se apresentaram à
pesagem. Simplesmente receberam nocaute com um golpe direto no queixo,
faturado com notas norte-americanas. Não fez falta nenhuma contagem de
proteção.
Observando os primeiros combates em Rio exclamei que nossos
pugilistas lutavam com tanta elegância e domínio técnico que
convertiam em arte seu rude esporte.
Na Alemanha existe uma máfia que se dedica a selecionar, comprar e
promover pugilistas cubanos nas competições esportivas internacionais.
Usa métodos psicológicos refinados e muitos milhões de dólares.
Apenas três horas depois, a vitória da cubana Mariela González
Torres na Maratona, um clássico do esporte Olímpico que fez com que
percorresse mais de 40 quilômetros, compensou com acréscimo a traição
e inscreve com letras de ouro sua façanha na história esportiva de sua
pátria.
O povo de Cuba deve honrar o exemplo heróico de Mariela, nascida na
oriental província de Granma, cujas taxas de mortalidade infantil e
materna foram, em 2006, de 4,4 em cada mil nascidos vivos e 11 em cada
100 mil partos, melhores que as dos Estados Unidos. Em seu município,
rio Cauto, com 47 mil 918 habitantes, foi zero em ambas as duas.
Depois de tudo, Cuba dispõe de milhares de bons treinadores ou
técnicos que trabalham no estrangeiro com atletas que não poucas vezes
ganham medalhas de ouro competindo contra os nossos. Algo mais: existe
uma Escola Internacional de Professores de Educação Física e Esportes
onde cursam estudos superiores mais de 1.300 jovens do Terceiro Mundo.
Há uns dias graduaram-se 247. Não cultivamos o chauvinismo nem o
espírito de superioridade. Apoiamo-nos na ciência e nos conhecimentos,
sobre essas bases lutamos para criar os valores éticos de uma mente
sadia num corpo sadio.
Não existe nenhuma justificativa para solicitar asilo político. Não
se importam com que o Brasil não seja seu mercado definitivo. Há
países ricos do primeiro mundo que pagam ainda mais. As autoridades
brasileiras declararam que os desertores deverão provar a necessidade
real de asilo. É impossível demonstrar o contrário. De antemão
conhece-se seu destino final como atletas mercenários numa sociedade
de consumo. Acho que ofenderam o Brasil utilizando os Pan-americanos
como pretexto para se autopromover. De qualquer jeito consideramos
úteis as declarações das autoridades.
Desejamos que o Brasil, país irmão da América Latina e do Terceiro
Mundo, obtenha a honra de ser sede de uma Olimpíada.
Fidel Castro Ruz
23 de julho de 2007
18h52
http://www.granma.cu/portugues/2007/julio/mar24/31reflexiones.html
Parece que ele está certo….
Da Folha de São Paulo
BOXE
Empresa admite ter organizado deserções
Manager espera os atletas na Alemanha para colocá-los no circuito profissional
Ahmet Öner, que já tem 4 cubanos sob contrato, diz ter gasto US$ 549 mil para que os pugilistas Rigondeaux e Lara largassem delegação no Rio
EDUARDO OHATA
ENVIADO ESPECIAL AO RIO
“”Fui eu que organizei tudo [a fuga].” Foi dessa maneira que Ahmet Öner, 35, da empresa alemã Arena Box-Promotion e manager de outros quatro boxeadores cubanos refugiados na Alemanha, admitiu à Folha, ontem, que orquestrou a deserção do bicampeão olímpico e mundial Guillermo Rigondeaux e de Erislandy Lara, também campeão mundial.
“Um grupo aqui na Alemanha, que tinha contatos na América do Sul, me trouxe em dezembro [os cubanos Yan] Barthelemy, [Yuriolki] Gamboa e [Odlanier] Solis. Paguei um bom dinheiro. Eles me trarão Rigondeaux e Lara”, explicou Öner, turco baseado na Alemanha, que diz que a operação de dezembro custou no total cerca de US$ 1,5 milhão. Segundo ele, com a do Pan do Rio, gastou US$ 549 mil.
“”Cuidei bem de Solis, Gamboa e Barthelemy, que são amigos de Rigondeaux e Lara. Acredito que isso ajudou [na decisão de deixarem Cuba].”
O manager, que no total terá quatro cubanos campeões olímpicos, calcula que levará um mês até conseguir se encontrar com a dupla, e preferiu não informar seu paradeiro.
“”Eles não chegaram, estão sem passaporte. Não posso dizer [o país] onde estão. Porém acho que dentro de um mês vamos estar juntos”, explica.
O plano de Öner é exatamente o mesmo já executado com os três que desertaram em dezembro na Venezuela: passar Rigondeaux, que em sua única luta no Pan registrou sua 104ª vitória consecutiva, e Lara ao milionário boxe profissional.
O trio que desertou em dezembro estreou em Hamburgo, em abril, e está invicto.
“”Os cinco serão campeões mundiais [profissionais]. Hoje sou o mais jovem empresário de boxe da Europa. Com eles, serei o maior”, afirma o manager, que tem ainda sob contrato um sexto cubano, Juan Carlos Gomez, ex-campeão mundial.
Fidel Castro criticou os alemães ao apontar que “”existe uma máfia que se dedica a selecionar, comprar e promover boxeadores cubanos”.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2607200722.htm
4 Comentários 31 de julho de 2007