O que é CLA?
Ácido Linoleico Conjugado (CLA - cis-9, trans-11 ou trans-10,cis-12 - ácido octadecadienóico) é o termo utilizado para descrever a mistura de isômeros de posição e geométricos que possuem uma dupla ligação após duas ligações simples. Esta alternância entre ligações é denominada “conjugação”, por isso o nome ácido linoléico conjugado.
CLA (Conjugated Linoleic Acid) ou ÁCIDO LINOLÉICO CONJUGADO é um nutriente natural que é encontrado numa vasta variedade de alimentos, como: carne bovina, peru e em alguns laticínios. Existem evidências de que o uso de CLA pode levar ao aumento da massa magra do corpo e a uma redução da gordura do corpo.
A popularidade do CLA entre os atletas se deve na “transformação de gordura em músculos”. Há pouca perda de peso corporal, mas há muita mudança no seu aspecto físico e visual: perde-se gordura, mas ganha-se massa muscular, é como se você emagrecesse sem perder peso.
Estudos recentes sugerem que o CLA pode servir como construtor de musculatura esquelética, provavelmente por servir como precursor hormonal, que sabidamente é aumentada em praticantes de exercícios físicos. A lipogênese também é reduzida em usuários do CLA, pois este ácido insaturado inibe o incremento do tecido adiposo, ou seja, de gordura localizada. Como o organismo passa a formar menos gordura, então “força” o corpo a queimar as reservas já existentes (gordura localizada), fazendo assim que você diminua o percentual de gordura e ganhe mais rapidamente a definição do músculo.
É importante ressaltar que o próprio mecanismo de ação do CLA ainda não está bem elucidado: cientistas teorizam que o CLA age possivelmente no aumento da atividade metabólica a nível da membrana celular. Sabe-se que o CLA é um antioxidante, antiinflamatório e atua no metabolismo das gorduras.
Por outro lado, o desgaste físico inerente ao esporte leva à possível formação de radicais livres - subprodutos da atividade celular que causam danos a outras células - acelerando assim os processos degenerativos de tendões, articulações e cartilagens. Estes efeitos indesejáveis comuns a alguns praticantes de exercícios físicos intensos podem ser evitados com a suplementação de nutrientes que combatam a formação destes radicais, como o composto em questão que oferece uma forte proteção antioxidante, além de ajudar o organismo na contínua produção de substâncias antiinflamatórias. Atletas sempre necessitam de uma dose extra de antioxidantes, pois a atividade física intensa é um dos fatores que aumenta a produção de radicais livres.
Por que usar o CLA?
CLA tem sido amplamente estudado por vários anos. Durante os últimos estudos CLA mostrou ser um anticarcinógeno, mostrou reduzir os efeitos adversos causados pela imuno estimulação e mostrou aumentar o desenvolvimento e melhorar o perfil lipídico do sangue. Durante estudos mais recentes cientistas examinaram os efeitos do CLA sobre o metabolismo da gordura, o ganho de músculos em animais de laboratório e descobriram alguns resultados muito promissores. Estes resultados mostraram que tomando CLA em pequenas doses foi o suficiente para mostrar um efeito positivo sobre a perda de gordura e ganho de massa magra. Desta maneira atletas poderiam tirar proveito da suplementação de CLA para ganhar mais músculo e perder gordura corporal.
Há inúmeros estudos científicos usando CLA em animais, mostrando sua eficácia. Um estudo desse tipo, usando animais de laboratório, mostrou que após 6 semanas de suplementação, o grupo alimentado com CLA apresentou um percentual de 4,3% de gordura corporal enquanto o grupo de controle (que recebeu placebo ou alimento inativo) teve um percentual de 10,1% de gordura corporal. Outro estudo, que observou o crescimento da massa magra em vez da perda de gordura, mostrou que os animais que foram alimentados com CLA em suas dietas ganharam mais peso corporal do que o grupo de controle.
Em um recente estudo realizado em humanos por pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison, o CLA mostrou ajudar as pessoas a perderem peso e manter a boa forma, assim como controlar a diabetes da idade adulta, esta pesquisa foi apresentada ao Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química, em Washington, por um de seus membros, Michael W. Pariza.
“O que CLA faz é bloquear o estágio em que as pequenas células graxas se tornam maiores,” disse Michael Pariza, diretor do Instituto de Pesquisa Alimentar da Universidade de Wisconsin e pesquisador chefe do estudo sobre CLA.
“Nossos resultados mostraram que o CLA facilitou às pessoas obedecer as dietas,” disse Pariza que, com sua equipe, estudou 80 pacientes obesos por seis meses.
Todos os pacientes seguiram uma dieta pobre em gordura e fizeram exercícios, mas apenas a metade usou o suplemento. Administrou-se placebo à outra metade do grupo. Todos os participantes do estudo, independente do uso do CLA, perderam uma média de 2,5 quilogramas.
Entretanto, os pesquisadores da University of Wisconsin-Madison descobriram uma relevância maior no modo como as pessoas do estudo ganharam peso, em vez de perder, explicou Pariza.
“As pessoas do grupo de placebo ganharam peso do mesmo modo como você ou eu ganharíamos, ou seja 75 por cento de gordura e 25 por cento de músculo,” disse.
“As pessoas que estavam tomando CLA, que engordaram durante a pesquisa, aumentaram de peso seguindo o mesmo padrão de quando se faz exercício. Ou seja, cerca de 50 por cento de gordura e 50 por cento de músculo”.
De acordo com Pariza, nenhum efeito colateral foi apresentado pelo suplemento. Ao mesmo tempo, questionários realizados a cada duas semanas com os pacientes revelaram que as pessoas que estavam tomando CLA se sentiram menos deprimidas, tiveram menos problemas de estômago, estavam conseguindo se concentrar mais e dormir melhor.
Por outro lado, um novo estudo realizado em pessoas diabéticas mostrou que suplementar a dieta com CLA pode levar a um melhor controle da diabetes e de peso. Os diabéticos que tomaram CLA tiveram uma redução de massa corpórea bem como níveis de açúcar mais baixos. Hiperglicemia ou níveis altos de açúcar no sangue é uma característica da diabete.
Não há estudos definitivos mostrando que dosagem de CLA é a mais eficiente. Contudo, muitos cientistas acreditam que tomando de 3 a 6 gramas por dia é suficiente para exercer, com eficácia, os efeitos desejáveis do CLA.
Câncer
O CLA está entre os compostos anticarcinogênicos que atuam reduzindo a incidência de tumor e a inibição de células cancerígenas de melanoma, cólon, próstata, pulmão, ovário e tecido mamário (WONG et al., 1997; CESANO et al., 1998; IP et al., 1999). Alguns sugerem que o ácido linoléico talvez seja o mais potente anti-carcinogênico de origem animal conhecido pelo homem, sendo seus efeitos considerados pela National Academy of Science estadunidense como inequivocamente comprovados. Algumas formas de CLA (c9, t11) não só previnem, mas atacam as células tumorais já presentes no organismo, reduzindo tumores previamente formados.
Colesterol
GAVINO et al em 2000, conduziram uma pesquisa com o objetivo de avaliar os efeitos do CLA sobre o perfil lipídico sanguíneo de ratos que recebiam uma dieta contendo colesterol e gordura hidrogenada do coco mais 1% de CLA. Os resultados apresentaram menores níveis sanguíneos de colesterol, triglicerídeos e nenhuma alteração nos níveis de HDL além de terem ganhado significativamente menos peso.
Diabetes
CLA pode retardar o início da diabete em ratos, além de ajudar o controle do início da diabete em humanos BELURY et al (2003).
Antioxidantes
Vários estudos como o de IP et al (1991) e BANNI et al (1995) sugerem que o CLA também pode atuar por mecanismos antioxidantes.
Considerações finais
Portanto tudo que foi descrito acima nos levam a crer que mais uma substância é associada a efeitos milagrosos, nos quais os resultados partem da “simples” redução de gordura e vão até a cura de doenças como o câncer. Os estudos são inúmeros, porém suas metodologias utilizam amostras pequenas, quando feitas em humanos, e nos animais os resultados são duvidosos, pois chegam a assustar de tão promissores. A maioria das pesquisas foi patrocinada por empresas interessadas na venda do produto, o que nos leva a desconfiar da veracidade dos tão exorbitantes resultados aqui mostrados. Agora cabe à ciência fazer uma investigação mais detalhada sobre esse ácido que aparece como ” cura para todos os males”. Se realmente todas as evidências forem definitivamente comprovadas, teremos aqui um produto que será um grande marco para a saúde humana.
Referências:
CHOI et al. The trans-10, cis-12 isomer of conjugated linoleic acid down regulates stearoyl-CoA desaturase 1 gene expression in 3T3 L1adipocytes. J Nutr 2000 Aug;130(8):1920-4.
LEE et al. Conjugated linoleic acid decreases hepaticstearoyl-CoA desaturase mRNA expression. Biochem Biophys Res Commun 1998 Jul 30;248(3):817-21.
PARK et al. Emerging Health Benefits of CLA (conjugated Linoleic acid). National Dairy Council -Dairy Council Digest. 1998 PDR - Physicians Desk Reference - Supplements,2001.
BANNI, S.; DAY, B.W.; EVANS, R.W.; CORONGIU, P.F.P.; LOMBARDI, B. Detection of conjugated diene isomers of linoleic acid in liver lipids of rats fed a choline-devoid diet indicates that the diet does not cause lipoperoxidation. J. Nutr. Biochem., v. 6, n. 5, p. 281-289, 1995.
BAUMAN et al. Trans fatty acids, conjugated linoleic acid and milk fat synthesis. In: Cornell Nutrition Conference for Feed Manufactures (Proceedings). New York: New York State College of Agricultura and Life Sciences / Department of Animal Science and Division of Nutritional Science. p. 95-103, 1998.
BELURY MA, MAHON A, BANNI S. The conjugated linoleic acid (CLA) isomer, t10c12- CLA, is inversely associated with changes in body weight and serum leptin in subjects with type2 diabetes mellitus. J Nutr. 2003 Jan;133(1):257S-260S.
CESANO, A.; VISONNEAU, S.; SCIMECA, J.A.; KRITCHEVKY, D.; SANTOLI, D. Opposite effects of linoleic acid and conjugated linoleic acid on human prostatic cancer in SCID mice. Anticancer Res. v. 18, p. 1429-1434, 1998.
CHIN, S.F.; LIU, W.; STORKSON, J.M.; HA, Y.L.; PARIZA, M.W. Dietary sources of conjugated dienoic isomers of linoleic acid, a newly recognised class of anticarcinogens. J. Food Comp. Anal., v. 5, p. 185-197, 1992.
GAVINO VC, GAVINO G, LEBLANC MJ, TUCHWEBER B. An isomeric mixture of conjugated linoleic acids but not pure cis-9, trans-11-octadecadienoic acid affects body weight gain and plasma lipids in hamsters. J Nutr. 2000 Jan;130(1):27-9.
IP, C.; BANNI, S.; ANGIONE, E.; CARTA, G.; MCGINLEY, J.; THOMPSON, H.J.; BARBANO, D.; BAUMAN, D. Conjugated linoleic acid-enriched butter fat alters mamary gland morphogenesis and reduces cancer risk in rats. J. Nutr., v. 129(12), p. 2135-2142, 1999.
IP, C.; CHIN, S.F.; SCIMECA, J.A.; PARIZA, M.W. Mammary cancer prevention by conjugated dienoic derivative of linoleic acid. Cancer Res., v. 51, p. 6118-6124, 1991.
IP, C.; SINGH, M.; THOMPASON, H.J.; SCIMECA, J.A. Conjugated linoleic acid suppresses mammary carcinogenesis and proliferative activity of the mammary gland in the rat. Cancer Res., v. 54, p. 1212-1215, 1994.
JIANG, J. et al. Occurence of conjugated cis-9, trans-11- octadecadienoic acid in bovine milk: effects of feed and dietary regimen. J Dairy Sci. v.79. n.3. p.438-445, 1996.
LEE KN, PARIZA MW, NTAMBI JM. Conjugated linoleic acid decreases hepatic stearoyl-CoA desaturase mRNA expression. Biochem Biophys Res Commun. 1998 Jul 30;248(3):817-21.
LIN, T.Y. et al. Conjugated linoleic acid concentration as affected by lactic cultures and added linoleic acid. Food Chemistry. v.67. p. 1-5, 1999.
STEINHART, C. Conjugated linoleic acid the good news about animal fat. Journal of Chemical Education. v.73. n.12. p.A302, 1996.
WEST DB, DELANY JP, CAMET PM, BLOHM F, TRUETT AA, SCIMECA J. Effects of conjugated linoleic acid on body fat and energy metabolism in the mouse. Am J Physiol Regul Integr Comp Physiol. 1998 Sep;275(3 Pt 2):R667-72.PMID: 9728060.
WONG, M.W.; CHEW, B.P.; WONG, T.S.; HOSICK, H.L.; BOYLSTON, T.D.; SHULTZ, T.D. Effectsof dietary conjugated linoleic acid on lymphocyte function and growth of mamary tumors im mice, Anticancer Res., v. 17, p. 987-993, 1997.
Encontre suplementos de CLA no site:
www.corpoperfeito.com.br
4 comentários 6 de Dezembro de 2006 às 12:22 João Vicente Lopes Barbosa